Decidir começar terapia já costuma ser a parte mais difícil. Aí vem a segunda: entre dezenas de perfis, qual escolher? Não existe a pessoa certa no papel. O que existe são alguns critérios que evitam as escolhas ruins e deixam o resto para a conversa, que é onde a escolha de verdade acontece.
1. Confira se a pessoa é psicóloga de fato
Psicólogo no Brasil precisa de registro no Conselho Regional de Psicologia, o CRP. O número aparece no formato "06/123456", em que os dois primeiros dígitos indicam a região do conselho. Qualquer pessoa pode consultar se o registro existe e está ativo no Cadastro Nacional de Psicólogos, do Conselho Federal de Psicologia.
Para atender online, o profissional também precisa estar cadastrado na plataforma e-Psi do conselho, como prevê a Resolução CFP 11/2018.
2. Pense no que te trouxe até aqui
Você não precisa saber o nome do que sente. Mas ajuda ter uma frase: "ando ansioso e não durmo", "perdi alguém e não consigo seguir", "estou esgotado no trabalho". Com ela, fica mais fácil ler os perfis e ver quem diz trabalhar com algo parecido.
Especialidade não é garantia, e generalista não é defeito. Mas se o que te trouxe é luto, um perfil que fala de luto com propriedade é um bom ponto de partida.
3. Abordagem: vale saber o básico, não precisa decorar
Os perfis costumam citar a abordagem, que é a linha teórica com que o profissional trabalha. As mais comuns:
- Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): mais estruturada, focada em pensamentos e comportamentos do presente, muitas vezes com exercícios entre as sessões.
- Psicanálise e abordagens psicodinâmicas: mais livre, olha para a história e para o que se repete sem a gente perceber.
- Humanista e Gestalt: centrada na experiência e na relação, no aqui e agora.
- Análise do Comportamento, ACT, Sistêmica e outras, cada uma com seu jeito de trabalhar.
Se você não tem preferência, tudo bem. Pergunte na primeira sessão como a pessoa trabalha. Uma boa resposta é clara e sem jargão.
4. Valor e frequência: faça a conta do mês
Terapia costuma ser semanal, principalmente no começo. Então o número que importa não é o valor de uma sessão, e sim o de quatro. Escolher alguém que cabe no orçamento por meses é melhor do que alguém ideal por três semanas.
Alguns pontos para conferir:
- se há sessões de durações diferentes (30 ou 50 minutos, por exemplo);
- se o profissional emite recibo, caso você queira pedir reembolso ao plano de saúde;
- qual é a regra de cancelamento e remarcação.
5. Horário de verdade, não horário possível
Olhe a agenda livre antes de se apegar a um perfil. Se a única vaga é num horário em que você vai estar no trânsito ou com a casa cheia, a chance de faltar ou de fazer a sessão sem privacidade é grande. Terapia online resolve o deslocamento, não resolve o ambiente.
6. A primeira sessão é para os dois se conhecerem
Ninguém espera que você chegue sabendo o que dizer. A primeira conversa costuma girar em torno do que te trouxe, do que você espera e de como vocês vão trabalhar. Algumas perguntas que você pode fazer:
- Como você trabalha com o que eu trouxe?
- Com que frequência a gente se encontraria?
- Como sei se está funcionando?
Depois, repare em como você saiu. Não precisa sair leve, porque falar de coisa difícil cansa. A pergunta é outra: você se sentiu ouvido e respeitado? Sentiu que dá para ser honesto ali?
7. Trocar de psicólogo é normal
A relação entre paciente e terapeuta é uma das coisas que mais pesam no resultado da terapia. Se depois de algumas sessões você não se sente à vontade, falar isso com o profissional já é parte do processo. E se não melhorar, procurar outra pessoa não é desistir nem ser ingrato. É cuidar do seu tratamento.
Resumindo
- CRP ativo, conferido no cadastro do conselho.
- Perfil que conversa com o que te trouxe.
- Valor que cabe por meses, não por semanas.
- Horário em que você consegue estar sozinho e sem pressa.
- Primeira sessão como conversa, não como compromisso eterno.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação com um profissional de saúde.