Quando se fala em terapia, a imagem que vem é a de duas cadeiras: você e o psicólogo. Mas existe outro formato, tão antigo quanto esse e muito estudado, em que algumas pessoas se encontram toda semana com o mesmo profissional para conversar sobre o que estão vivendo. É a terapia em grupo. Ela não é uma versão mais barata da individual. É outra experiência, com recursos que a sessão a dois não tem.
O que é, na prática
Um grupo terapêutico reúne poucas pessoas, em geral entre 4 e 12, com um psicólogo que conduz os encontros. Eles acontecem com frequência fixa, quase sempre semanal, no mesmo dia e horário, e cada encontro dura em torno de uma hora a uma hora e meia.
Muitos grupos se organizam em torno de um tema: ansiedade, luto, maternidade, burnout, relacionamentos. Outros são abertos a questões variadas. O que não muda é o papel do psicólogo: ele cuida para que todos tenham espaço, segura a conversa quando ela pesa, aponta o que se repete e protege o grupo.
Por que ouvir outras pessoas ajuda
O psiquiatra Irvin Yalom, uma das principais referências no assunto, descreveu os chamados fatores terapêuticos do grupo: coisas que acontecem ali e que ajudam a pessoa a mudar. Alguns deles:
- Universalidade: descobrir que outras pessoas sentem algo parecido. Parece pouco, mas costuma ser o primeiro alívio.
- Esperança: ver alguém que está alguns passos à frente no mesmo caminho.
- Altruísmo: perceber que o que você diz ajuda outra pessoa. Para quem anda se sentindo inútil, isso pesa.
- Aprendizado nas relações: o jeito como você se relaciona aparece no grupo, ao vivo, e pode ser olhado com cuidado.
- Pertencimento: ter um lugar fixo na semana onde você é esperado.
Muita gente chega ao primeiro encontro com a mesma frase na cabeça:
"Eu achava que era só comigo."
Estudos que comparam terapia em grupo e individual encontram resultados parecidos para várias demandas comuns, como ansiedade e depressão. Isso não quer dizer que um formato substitua o outro para todo mundo. Quer dizer que o grupo é uma escolha legítima, não um prêmio de consolação.
Para quem costuma funcionar bem
- Quem sente que o que vive é "só seu" e se isola por isso.
- Quem passa por uma situação que outras pessoas também atravessam, como luto, esgotamento no trabalho, uma separação ou a chegada de um filho.
- Quem quer trabalhar a forma como se relaciona: dificuldade de dizer não, medo de julgamento, timidez.
- Quem já faz terapia individual e quer um espaço a mais. Os dois formatos combinam bem.
- Quem precisa de um valor por encontro mais acessível para conseguir manter a frequência.
Quando o individual é mais indicado
O grupo não é o melhor primeiro passo em algumas situações: crise aguda, risco de se machucar, um momento em que você precisa de atenção individual e intensiva, ou quando a demanda envolve algo que você ainda não consegue falar na frente de ninguém. Nesses casos, começar pelo individual costuma ser mais cuidadoso. Nada impede de ir para o grupo depois.
Por isso, num grupo sério, quem decide se você entra é o psicólogo. Não é burocracia: é a triagem que protege você e os outros participantes.
Se você está pensando em morrer ou em se machucar, procure ajuda agora. O CVV atende no 188, 24 horas por dia, de graça e em sigilo. Em emergência, procure o pronto-socorro mais próximo ou ligue 192.
As regras que fazem o grupo funcionar
Todo grupo terapêutico tem um combinado, apresentado antes de a pessoa entrar. Os mais comuns:
- Sigilo: o que é dito no grupo fica no grupo. Você pode contar o que viveu, mas nunca quem disse o quê.
- Presença: chegar no horário e avisar quando não puder ir. O grupo sente a falta de quem some.
- Respeito: falar de si, não dar sermão nos outros. Ninguém é obrigado a falar mais do que quer.
- Fora do grupo: muitos psicólogos pedem que os participantes não criem relações paralelas enquanto o grupo dura, para não criar subgrupos.
Como é o primeiro encontro
É normal chegar tenso. Ninguém precisa contar a própria história logo de cara. O psicólogo costuma abrir com uma rodada curta de apresentação, lembrar as regras e deixar a conversa acontecer. Muita gente passa o primeiro encontro mais ouvindo do que falando, e isso também é participar.
Depois, repare em como você saiu. Cansado faz parte. A pergunta que importa é se você se sentiu respeitado e se dá vontade de voltar.
Terapia em grupo online
Por vídeo, o grupo funciona com a mesma lógica, e alguns cuidados ficam mais importantes:
- Lugar reservado e fone de ouvido. O sigilo dos outros participantes também depende de onde você está.
- Câmera ligada. No grupo, ver o rosto de quem fala é parte do vínculo.
- Só o primeiro nome. É uma proteção a mais para todo mundo.
Perguntas frequentes
Sou obrigado a falar?
Não. Você fala quando e quanto quiser. Com o tempo, a maioria das pessoas sente vontade de falar, justamente porque ouviu os outros.
E se eu conhecer alguém do grupo?
Avise o psicólogo antes ou logo no início. Ele conversa com os dois e ajuda a decidir se faz sentido permanecer.
Grupo é mais barato que sessão individual?
Normalmente o valor por encontro é menor, porque o tempo do profissional é dividido entre os participantes. Quem define o valor é cada psicólogo.
Posso sair do grupo?
Pode. O combinado mais comum é avisar o grupo no último encontro, para que a saída também seja elaborada e ninguém fique sem entender sua ausência.
Se você ainda está decidindo entre começar pelo individual ou pelo grupo, este guia ajuda: como escolher um psicólogo online.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação com um profissional de saúde.